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Entrevista com o Dr.Tiago de Paula, neurologista da Headache Center e prêmiado como melhor poster votado na IHC 2025

  • Foto do escritor: Telix
    Telix
  • 29 de set. de 2025
  • 25 min de leitura

Atualizado: 6 de out. de 2025

Marina: Hoje vamos entender a relação entre enjoo de movimento na infância, a sensação de tontura na idade adulta e a enxaqueca. Para isso, vamos conversar com o doutor Tiago de Paula, médico neurologista brasileiro que ganhou o prêmio de melhor pôster no congresso internacional de cefaleia deste ano.Doutor, você pode explicar pra gente em que consistiu a sua pesquisa?


Tiago: Vamos lá, claro. Antes de explicar um pouquinho, eu vou dar uma introdução do que, de fato, é a enxaqueca. As pessoas não entendem o que é a doença e acham que enxaqueca é só uma dor de cabeça forte.

Esse é um estudo que mostrou um sintoma da doença que muitas pessoas não associam à enxaqueca e que é diretamente ligado a ela. Então, só pra as pessoas entenderem: a enxaqueca é uma doença de origem genética, uma doença de hiperexcitabilidade cerebral. Você herda essa tendência dos pais, do pai ou da mãe, e, de fato, já tem sintomas desde a infância, porque é um modo desoperante do cérebro diferente.

Enxaqueca não é dor de cabeça forte. A dor de cabeça forte é somente um dos sintomas. Dito isso, vou explicar um pouquinho o que é esse sintoma e como a gente começou a perceber isso, né?

Tirando a história dos pacientes e conversando com eles, a gente percebeu que pacientes que chegavam aqui no Headache Center, no meu consultório, com dores de cabeça e tontura, quando eu perguntava se eles tinham sintoma de cinetose na infância...

O que é a cinetose? É uma sensibilidade aumentada ao movimento, ou à sensação de movimento. A resposta era “sim”. Então, a gente percebeu que essa resposta “sim” aparecia com muita frequência.

E como é uma pergunta que faço pra todos os pacientes, sempre no início, a gente conseguiu plotar todos esses dados de 2020 até 2025 e ter um número grande de pacientes pra apresentar no trabalho científico e como pôster no congresso.

Então, essa resposta fez uma ligação entre esses dois sintomas que, às vezes, pareciam distantes: o sintoma de cinetose na infância e o sintoma de tontura no adulto.

Esse foi um estudo com mais de oitocentos pacientes, que a gente avaliou durante todo esse período. Posso explicar um pouquinho mais depois... mas pode fazer uma pergunta!

Marina: Legal, doutor. O que essa pesquisa significa pra pais e mães de crianças que têm enjoo quando viajam de carro? É algo que eles precisam fazer de diferente em relação aos filhos?

Tiago: Sim, muito boa essa pergunta. De fato, as crianças que têm enjoo, principalmente se o pai ou a mãe têm enxaqueca, e percebem que o filho já passa mal no carro, isso já é um sintoma precoce da doença.

É uma criança que, de fato, vale a pena observar. Se ela começar a ter outros sintomas, já é indicado encaminhar pro neurologista ou adotar medidas preventivas que ajudam a doença a não progredir.

A gente orienta aqui pros pacientes a retirada de estimulantes alimentares, tá? Ou simplesmente, antes de entrar no carro, e isso já é feito em alguns casos, dar um medicamento pra criança não passar mal, tentar diminuir essa sensação de movimento colocando ela no banco da frente, se ela já for um pouco maior, ou enfim, com o cinto, se conseguir ficar.

O mais importante é saber que é um sintoma precoce da doença, que indica que essa criança pode desenvolver um quadro de dor bem importante, principalmente se ela tem pais com a doença.


Marina: Entendi. E essa questão então de reduzir os estimulantes ou eliminar seria Coca-Cola, café, chocolate, esse tipo de alimento? Então os pais devem evitar no dia da viagem?

Tiago: Ah, sim, no dia da viagem. A questão é tentar diminuir essa sensação de movimento. Criança que usa, por exemplo, leitura ou joguinho, não dá pra fazer isso enquanto estiver no carro, porque senão ela vai passar mal com mais facilidade, né? Então, essa é uma das estratégias que os pais podem adotar.

Você pode ofertar, sim, uma medicação preventiva no caso da criança que passa muito mal, que tem náusea e vômito, antes dela entrar no carro. Isso é uma coisa possível de ser feita.

Mas, com relação aos estimulantes, isso é muito importante. Lembra que eu expliquei lá no início a enxaqueca como uma doença de hiperexcitabilidade cerebral? Então, quando a gente aumenta essa hiperexcitabilidade, a gente tende a piorar a doença.

Alimentos excitatórios deixam a doença mais grave, tá? Desde alimentos como café, chocolate, chá verde, chá preto e chá-mate, que são estimulantes e pioram a doença. A gente vê isso na prática: quando retira esses alimentos, consegue um controle absurdo do paciente. E isso acontece também com crianças.

Marina: E essa retirada desses alimentos deve ser sempre, não apenas no dia da viagem?

Tiago: Exatamente.

Marina: Então, se a criança tem enjoo, o ideal é ela nunca consumir esses alimentos?

Tiago: Uma criança que é filha de alguém que tem enxaqueca já tem uma relação estabelecida. Existem alguns trabalhos científicos que mostram que crianças expostas a estimulantes na infância têm quadros de enxaqueca mais graves do que aquelas que não são expostas.

É um trabalho chinês que foi feito, e a gente viu que isso, de fato, interfere. E, na tontura, no enjoo, nessa cinetose da infância, há uma relação direta, sim. Claro que esse é um dos primeiros trabalhos que mostrou essa relação muito intrínseca com a doença, com a tontura e tudo mais. Mas já existem outros mostrando que é um sintoma precoce.

Então, quanto melhor tratada essa criança, melhor. Menos a doença tende a ficar grave ao longo dos anos. E sim, trata-se criança com enxaqueca, porque a doença nasce com ela.


Marina: Entendi, doutor. Ai, que pena, né? Que pena, doutor. E como a sua pesquisa impacta o tratamento dos adultos que hoje têm tontura e enxaqueca, e que tinham enjoo de movimento quando eram crianças? Essa descoberta impacta de alguma forma o tratamento desses adultos?

Tiago: Olha, é o conhecimento da doença. Entender que a enxaqueca não é só dor de cabeça e que também tem tontura impacta muito, porque existem muitos pacientes em que a doença pode começar pela tontura.

O paciente que tinha cinetose na infância pode abrir o quadro com tontura, nem sempre com tanta dor. Às vezes, tem um pouco de dor no pescoço, mas o principal sintoma é a tontura. E muitas vezes ele passa por vários médicos, otorrinolaringologistas e até mesmo neurologistas, e ninguém pensa em migrânea vestibular.

É um sintoma que faz a pessoa ficar anos recebendo diversos tratamentos que não ajudam em nada, e a vida vai se perdendo, ela vai ficando incapacitada. E sim, isso impacta, porque quando os médicos entendem isso e o paciente também compreende esse sintoma, o diagnóstico é feito de forma mais precoce.

A partir daí, ele recebe tratamentos que realmente ajudam na doença, e não apenas profiláticos ou remédios para tontura, enquanto a vida vai passando, né? Então, sim, impacta muito do ponto de vista de entender melhor a doença e saber que esse é um sintoma precoce, que pode aparecer sozinho, até mesmo sem dor.


Marina: E aí, com esse tratamento correto, ela começa a melhorar e não fica passando esses anos todos piorando, sem entender o que está acontecendo com ela. Entendi, perfeito.

Tiago: Com migrânea vestibular isso é muito comum, né? Geralmente, o paciente leva dez, quinze anos para receber o diagnóstico correto. E, muitas vezes, vai recebendo tratamentos muito ruins, que não resolvem a doença de fato.

Depois de muito tempo, ele acaba recebendo um tratamento que realmente controla a doença. E a mesma coisa acontece com a própria enxaqueca: os tratamentos de primeira linha são postergados para esses pacientes.


Marina: Entendi, doutor. Nossa, muito importante mesmo a sua pesquisa. Queria lhe dar, então, em público, os parabéns pela sua premiação e dizer que a gente, no Telix, ficou muito orgulhoso, né? A nossa equipe toda, pelo fato de esse prêmio ter sido concedido a um brasileiro.

É muito, muito legal saber que os pesquisadores brasileiros estão contribuindo na compreensão dessa doença que atinge um bilhão de pessoas no mundo. Não é uma doença brasileira, né? É uma doença internacional. Então, parabéns, doutor.


Tiago: Muito obrigado, muito obrigado.

Marina: E nesse tratamento de pacientes com enxaqueca, que tipo de dificuldades o doutor encontra? Tiago: Olha, na realidade, a dificuldade que a gente encontra é que o paciente, muitas vezes, demora muito tempo para procurar ajuda, porque ele não entende que a enxaqueca é, de fato, uma doença. Existe muito estigma em torno dela, então a pessoa fica se automedicando e demora para buscar atendimento.

Ela usa remédios de crise achando que está tratando a enxaqueca. “Ah, estou tratando minha enxaqueca com Sumax, com Naramig, com Neosaldina.” Não, isso não trata enxaqueca. Isso é remédio de crise. Então você não está fazendo com que as crises diminuam.

Tratar enxaqueca é fazer com que a doença tenha cada vez menos crises, com menos intensidade e com menos frequência, até o ponto de você deixar de tê-las. Isso é tratar a doença: ter uma melhora sustentada e progressiva.

As pessoas, muitas vezes, acham que estão tratando com esses medicamentos, e esse é o primeiro ponto. Achar que enxaqueca é apenas dor de cabeça. Se a gente começar a mudar essa ideia, entendendo que enxaqueca é uma doença neurológica, e que quando você está tendo dor de cabeça é o ápice do sofrimento dos neurônios, a gente muda muita coisa.

Mas, muitas vezes, não temos campanhas sobre isso. E, quando vemos campanhas até publicitárias , por exemplo, a última que eu vi foi uma propaganda no Big Brother, em que diziam que Neosaldina trata enxaqueca. Neosaldina não trata enxaqueca, tá? Neosaldina é um remédio de crise, e é um remédio de crise que, quanto mais você toma, menos funciona e mais crises você vai ter.

Ele não trata a doença de jeito nenhum. Então, a maior dificuldade que eu vejo para os pacientes é entender essa primeira parte: que enxaqueca não é dor de cabeça. É uma doença neurológica que precisa ser tratada para que as crises deixem de acontecer. Remédio de crise não trata. Esse é o primeiro ponto.


Marina: Entendi, doutor. O senhor estava falando sobre essa melhora progressiva e constante da enxaqueca. Esse seria o resultado esperado de um tratamento eficaz para a doença, né? Essa melhora progressiva e constante.

E qual é o prazo dessa melhora? Qual seria um tempo razoável para a pessoa ter uma expectativa correta em relação ao tratamento?

Tiago: Não, perfeito. O tratamento tem que ser sustentado e progressivo. Por exemplo, em três meses de qualquer tratamento, o paciente tem que ter melhorado pelo menos um pouco. Se ele não está melhorando nada, ou o tratamento é inferior ao que ele merece para o grau de doença que ele tem, ou é um tratamento que não está ajudando.

O que a gente sabe é que existem muitos tratamentos que “até ajudam no início”, mas essa ajuda não é sustentada nem progressiva, o que os torna ruins para a doença. E a gente tem muitos deles.

Marina: Então, a expectativa é que o paciente aguente firme os primeiros três meses, mesmo que a melhora tenha sido pouca ou quase nenhuma? Quando ele sabe que o tratamento é bom ou não, que deve continuar com aquele tratamento ou mudar?

Tiago: É difícil dizer exatamente, porque existem várias formas de abordar e tratar a doença. Por exemplo, se o paciente está tomando remédio todo dia para dor de cabeça, esse tratamento é ruim.

O simples fato de a pessoa não ter reduzido o uso excessivo de medicamentos já mostra que o tratamento não está sendo eficaz. Se ela está tomando um monte de remédio para crise, esse tratamento é ineficaz.

O primeiro passo para tratar um paciente é fazer com que ele deixe de tomar, ou tome cada vez menos, remédio de crise. Então, para saber se o tratamento está funcionando, o paciente precisa estar tomando menos remédio de crise. Ponto.

Isso tem que ser sustentado e progressivo. Se isso não estiver acontecendo, provavelmente o tratamento não está sendo eficaz ou a forma como ele está sendo conduzido é inadequada.

Marina: E em quanto tempo, vamos supor que a pessoa esteja fazendo o melhor tratamento disponível no mercado hoje, com o melhor médico, em quanto tempo uma pessoa que tem dor de cabeça todo dia, ou quinze dias por mês, pode ter a expectativa de não ter mais crises?

Tiago: Ah, isso varia muito. Varia muito de como o paciente chega pra gente. Existem pacientes que, com três meses, a gente já consegue uma melhora significativa. O paciente que tem dor todo dia, por exemplo, pode deixar de ter muito rápido. Mas há outros que demoram três ou quatro anos para isso acontecer.

Então, não é uma coisa rápida. Deixar de ter dor todos os dias é um processo de tratamento, porque é uma doença crônica. O que a gente sabe é que existem alguns indicadores que mostram quando a doença vai demorar mais para responder ou quando a melhora tende a ser menor.

Hoje sabemos que pacientes que usam antidepressivos, muitas vezes, têm uma resposta inferior. Pacientes que fazem uso excessivo de medicamentos também apresentam dificuldade maior em reduzir essa frequência. O tempo de doença também influencia: quando o paciente começou lá atrás, na infância, e nunca foi tratado, e chega pra gente mais velho, o caminho da dor no cérebro já está muito forte.

De fato, a resposta acaba sendo mais lenta. Isso é individual. O tempo de resposta varia de acordo com cada paciente, com o contexto, a genética, o que ele recebeu de tratamento anterior e há quanto tempo ele está mal com a doença.

São muitas variáveis. Não existe um tempo fixo para descronificar um paciente e transformar alguém que tinha dor todos os dias em alguém que não tem mais. Isso varia muito. É individual.


Marina: Entendi. Então varia em torno de três meses até quatro anos. A pessoa que está melhorando lentamente nesses quatro anos não deve trocar de tratamento? Ela tem que aguentar firme porque está melhorando, o negócio uma hora vai, uma hora vai funcionar, ela tem que continuar melhorando?

Tiago: Se não estiver melhorando, tem erro nesse trabalho, tem erro nessa condução. O mais difícil é a condução do quadro. A gente recebe pacientes aqui com o melhor tratamento do mundo. A pessoa está com Botox, está com Ajovy, que é uma das associações mais eficazes que existem no mundo toxina botulínica com anti-CGRP, ambos com nível de evidência científica altíssimo.

Mas está com todo o resto errado. Está tomando um monte de remédios, fazendo várias coisas inadequadas. Não existe tratamento no mundo que vá funcionar para um paciente que está fazendo tudo errado. Então, a condução do quadro é fundamental para que a gente tenha uma melhora efetiva do paciente.

E, claro, o neurologista sozinho, em casos graves, não consegue. Eu tenho uma equipe multidisciplinar comigo: psicólogo, nutricionista, dentista, entre outros profissionais. Eu sozinho, com pacientes graves, não consigo. É necessário ter um suporte para ajudar, porque eu sei que essa não é a realidade do Brasil, nem de todos os centros e profissionais que tratam enxaqueca.

A maioria dos neurologistas trabalha sozinha, tentando, de alguma forma, ajudar os pacientes, e isso torna o processo muito mais difícil. A enxaqueca não é uma doença simples, não é uma doença fácil, não é apenas dor de cabeça. É uma doença em que você perde neurônios toda vez que tem uma crise de dor. Seu principal órgão está sofrendo.

Mas ela é muito minimizada. Então, quando você perguntou sobre as barreiras, essa é uma delas: a minimização da doença, muitas vezes pelo próprio paciente e, pior ainda, por profissionais de saúde.


Marina: Entendi, doutor. O senhor falou daquela questão do “tudo errado”, né? Então, a pessoa precisa tomar o remédio, receber esse tratamento que provavelmente seria o Ajovy com Botox, e aí ela precisa fazer outras coisas também, né?

Sim, depende do paciente, mas o que mais ela precisa fazer? Essa dieta sem estimulantes, reduzir a medicação, e o que mais? O que seria o “tudo certo”?


Tiago: É que o “tudo errado” é muito “tudo errado”, tá? Tem muitas coisas que podem dar errado, né? Desde o diagnóstico.

O paciente com enxaqueca, só pra você entender, muitas vezes tem déficit de atenção, déficit de memória, não está dormindo direito, tem o sono muito ruim. Muitas vezes, ele recebe o diagnóstico de insônia e é medicado para dormir. Ele vai receber um sintomático, porque não está dormindo bem.

E, por não dormir direito e ter déficit de atenção e memória, acaba recebendo diagnóstico de TDAH. A partir disso, recebe estimulantes como Venvanse ou Concerta. Então, existem inúmeros erros que a gente encontra e precisa corrigir nos pacientes.

De fato, às vezes não dá pra fazer tudo de uma vez. Existem drogas que pioram a doença, como o cigarro, e também drogas ilícitas, como a cocaína. São vários fatores que podem agravar o quadro. Cabe ao médico tentar ajustar isso da melhor forma, montando um plano para retirar esses problemas, um por um, até conseguir estabilizar o paciente.

E isso não é fácil. Precisa de apoio psicológico, porque o psicólogo ajuda nesse processo de retirada. O paciente tem muitos sintomas de abstinência. Então, as pessoas precisam entender que é uma doença grave, uma doença complicada, e que não é fácil de tratar.

O que não dá é simplesmente colocar a culpa no paciente, dizendo que ele é refratário. O que eu mais recebo aqui é paciente com esse título: “Ah, eu sou refratário, nada funciona pra mim.” Na realidade, só não foi feito um tratamento organizado. E organizar não é fácil.

Marina: Entendi, doutor. Inclusive, isso que o senhor falou da doença grave, né? Eu vi no seu Instagram a questão do AVC, que a enxaqueca aumenta o risco de AVC. Isso é uma coisa que as pessoas não sabem, não têm consciência, e é uma coisa importante. Talvez, se essa consciência fosse maior, dessa gravidade da doença, a atitude em relação a ela talvez fosse diferente, fosse de mais atenção.

Tem alguns fatores que, ao meu ver, deixam a doença mais na escuridão. E, por muito tempo, você ficou nessa escuridão. O fato de relacionarem a enxaqueca a sintomas de humor... Todo paciente com enxaqueca vai ter sintomas de humor. O cérebro, por estar hiperexcitável, é ansioso. Então, paciente com enxaqueca tem ansiedade. Ponto. Todo paciente tem.

E, por muitos anos, a culpa das crises era colocada nesses sintomas ansiosos. Ah, o fato de ser mulher é um fator também. A grande parte dos pacientes serem mulheres foi algo que fez com que a doença fosse menos tratada, minimizada. Coloca-se a culpa da doença no paciente. Só que o culpado da doença ser grave é a própria doença. É ela que deixa o cérebro com um monte de sintomas de humor, que vai gerar ansiedade, depressão, impulsividade e compulsões nessa pessoa.

Esse é um ponto bem importante que, muitas vezes, é esquecido. É difícil. Precisa-se entender que é grave, que não é só uma dorzinha de cabeça. É preciso entender que há riscos, que toda vez que você está tendo dor é um sinal de alarme do seu corpo. Tem um órgão sofrendo, e é o principal órgão do seu corpo: os neurônios.


Marina: É, doutor, a coisa é séria, né? Então, o senhor pode nos explicar a diferença entre cura, remissão e controle da enxaqueca? Existe remissão e cura da enxaqueca, ou o melhor que a gente pode esperar é o controle?Tiago: Como vivendo como se a doença não existisse, tá? Esse é o meu objetivo para todos os pacientes: fazer com que eles vivam como se essa doença de fato não existisse. Tem controle, sim. Controle é quando a pessoa tem o mínimo de crises possíveis.

A gente já consegue o controle no início da doença, no início do tratamento, em muitos pacientes. Já no começo conseguimos tirar o paciente do inferno e colocá-lo em uma vida ainda com dores, mas com menos intensidade, até chegar nesse objetivo que é a remissão.

Mas cura não tem como, porque é uma doença genética. É uma doença genética. As pessoas confundem muitas vezes: “Ah, entrei na menopausa e me curei da endometriose”, que é uma frase muito comum. As pessoas acham que se curaram, mas, na verdade, a doença se modifica.

A doença se modifica quando você entra na menopausa. Você não consegue curar uma doença que é genética, que você nasceu com ela, que é uma tendência que vai ter até a morte, de um cérebro hiperexcitável. As pessoas acham que estão curadas da enxaqueca porque acreditam que enxaqueca é apenas dor de cabeça forte.

Daí, quando entram na menopausa e deixam de ter a dor de cabeça forte, continuam com todos os outros sintomas. Continuam dormindo mal, continuam com dor no pescoço, que é da enxaqueca. Continuam tendo oscilação de humor absurda, que também é da doença. Continuam passando mal quando andam de carro, continuam tendo tontura.

Elas só não têm mais a dor de cabeça intensa porque o principal gatilho foi embora o gatilho hormonal. Mas a doença continua lá. E, como os outros sintomas permanecem, às vezes a paciente acaba recebendo outros diagnósticos, justamente porque muitos médicos ainda não sabem que a enxaqueca é uma doença.

A pessoa acaba ganhando diagnósticos de fibromialgia, insônia prolongada, dor cervical sem tratamento, entre várias outras coisas.Marina: inclusive essa questão da fibromialgia eu achei muito interessante que o doutor falou também né que é na verdade daí não é uma fibromialgia é uma corpaulgia como que é o nome Tiago: Exato, né... vamos lá. Esse aqui é bem interessante, esse eu levei um trabalho também pro congresso. Nesse trabalho, a gente acabou, eu e minha equipe, levando o trabalho dos pacientes que eu atendi aqui.

Esses pacientes... é sempre a mesma história do trabalho que ganhou no congresso. Era uma pergunta que eu fazia pra todos os pacientes, sempre. Eu sempre perguntava, na primeira consulta, se eles tinham, de fato, dores de crescimento.

Só que eu percebi que um grupo em específico respondia essa pergunta com mais respostas “sim”. E quem era esse grupo? Era o grupo que chegava com o diagnóstico, a maioria deles, né, que entrou no trabalho. Eles chegavam dizendo: “Ah, recebi o diagnóstico de fibromialgia do meu médico.”

Eles recebiam esse diagnóstico e, daí, eu checava se eles tinham a dor de crescimento. A resposta foi positiva pra 78%, então um número bem alto de pacientes. Os outros... não lembravam, tá? Não lembravam se, de fato, eles tinham.

Então a gente tem todo esse viés ainda de memória nesse tipo de pergunta. A gente sabe que é uma doença de dessensibilização central. Esse foi um dos primeiros trabalhos que tentou ligar, de fato, a fibromialgia à própria enxaqueca, porque elas têm fisiopatologias sobrepostas, uma é sobreposta à outra.

Hoje a gente sabe, na minha percepção, que a fibromialgia acaba sendo uma evolução da própria enxaqueca. Se a gente pergunta pros pacientes que chegam, muitas vezes, com diagnóstico de fibromialgia, eles tinham sintomas clássicos de enxaqueca, mas daí a doença foi cronificando, e os sintomas deixaram de ser clássicos.

Ela não tem outra doença, tá? É a mesma doença que não está sendo tratada. Daí ela recebe um tratamento que não é pra enxaqueca e, daí, ela não melhora. Por isso que a gente vê muitos pacientes com fibromialgia, e a doença cada vez vai piorando mais.

Que tratamento é esse que faz a pessoa piorar, né? Que coloca uma pessoa que não estava em estado de incapacidade... na cama. Tanto é que, recentemente, até entrou como uma das doenças que podem ser tidas como passíveis de aposentadoria.

Como que uma pessoa ficou na cama? Que tratamento é esse que você está fazendo, que está fazendo a pessoa piorar? Será que a gente está acertando o tratamento pra essa pessoa de fato?

Então essa é uma pergunta que eu faço. E por isso esse trabalho que eu fiz, eu acho que é muito bacana. Esse segundo é o trabalho que eu levei como pôster, que eu levei pro congresso. Eu achei que também é bem interessante, né? Porque levanta esse tipo de questão que, muitas vezes, 

Marina: E dá uma esperança pra pessoa, porque ela está com o diagnóstico errado. Então, não é que a doença dela não seja tratável, a fibromialgia dela não é tratável porque ela está tratando a doença errada.

Se ela tratar a doença correta, que seria a enxaqueca, aí vem essa questão que a gente estava conversando, que o doutor falou então que...


Tiago: Chegaram com corpoalgia pra mim. Poxa, eu tratei eles e eu curei a fibromialgia deles. Como que eu curo uma doença que, teoricamente, foi equivocada? Porque a gente estava com uma corpoalgia da própria enxaqueca e foi erroneamente diagnosticado com fibromialgia.

Marina: Entendi. Espetáculo. Doutor, e aí então, resumindo os nossos conceitos aqui, o controle da doença é a pessoa tomar remédio e começar a melhorar, ter menos crises.


Tiago: É ela estar fazendo um tratamento que ela está tendo cada vez menos crises e começa a retomar a vida dela. Então, ela consegue trabalhar, consegue estudar, está perdendo cada vez menos dias ou nem está mais perdendo. A crise dela dura pouco tempo e a gente está controlando.

Remissão é quando ela deixou de ter crises. Os gatilhos perdem a força. Nem gatilho menstrual vai causar dor nela, nem gatilho de tempo, de mudança climática, vai causar dor. Isso é remissão.

Remissão é quando os gatilhos perdem a força. No controle, os gatilhos ainda estão acontecendo.


Marina: E na remissão, doutor, ela ainda precisa estar tomando remédio? Ou, na remissão, ela pode não estar mais tomando o remédio preventivo?


Tiago: Claro que com menos tempo, né? Se você usa um tratamento, sei lá, um remédio oral, vai usar em menor dose. Você usa um tratamento que de fato controla.

Pacientes que chegam pra mim e que eu não consigo controlar com remédio oral, por exemplo, eu trato com toxina botulínica. A gente começa a fazer um espaçamento desse tratamento quando entra na remissão.


Marina: Entendi. E aí, a ideia é a pessoa ficar tomando esse remédio em dosagem menor pra sempre, ou tem um momento em que ela está em remissão e pode parar?


Tiago: A doença não tem cura. Se a gente tira o tratamento, infelizmente o paciente vai voltando, aos pouquinhos, a ter a doença. Ela vai voltando. É implacável.

Eu, por exemplo, recebi recentemente dois pacientes que me acompanhavam em 2023 e estavam zeradas. Ficaram um tempo sem acompanhamento, sem fazer o tratamento, e a doença foi voltando. Elas voltaram a ter dor todos os dias.

É claro, com uma intensidade baixa, três, quatro, mas era todo dia de novo, porque ficaram sem o tratamento. Então, é implacável. Quando se fica sem tratar, alguns podem demorar mais tempo, outros menos, mas invariavelmente a doença vai voltando.


Marina: Entendi. Ai, que pena.


Tiago: Porque, se a pessoa achar que enxaqueca é só dor de cabeça forte, ela pode demorar anos pra ter de novo essa dor, se fizer tudo certo, é claro. Mas é porque a gente olha a doença na lupa. Quando olhamos a doença na lupa, sabemos que é uma doença do cérebro que causa diversos sintomas.

Sintomas de memória, de atenção, de sono. Sintomas de dor, é óbvio, mas também sintomas de oscilação de humor. Tudo isso vem de um cérebro que tem a doença.

A enxaqueca é uma doença de status cerebral, é a forma como o cérebro interage com o mundo. Por isso, a luz incomoda mais do que nos outros, o cheiro, tudo. O tempo todo, a doença está ativa. A interação é diferente.


Marina: Entendi, doutor. Aqui no Telix, a gente está tentando desenvolver uma forma diferente de indexar artigos científicos sobre tratamentos de saúde. O senhor considera que o tratamento da crise de enxaqueca e o tratamento da doença em si devem ser tratados como conceitos diferentes? Ou o senhor vê o tratamento da crise como uma parte do tratamento completo?


Tiago: Não. O tratamento da crise nunca será parte do tratamento completo. Nunca. O tratamento da crise é outro.

Quando você trata a crise, você já perdeu. A crise já aconteceu, você já perdeu. A ideia é não tratar a crise, é tratar a doença para que você não precise tratar a crise.

Então, quando a crise acontece, por exemplo, se você tem poucas crises e toma um remédio para a crise, você simplesmente está postergando o problema


Marina: Entendi. Então são coisas diferentes. A pessoa começa a tomar cada vez mais remédios e, daí, ela fica ruim de novo, deixa passar demais, totalmente. Enfim, não precisa esperar a pessoa ficar extremamente ruim pra tratar, mas infelizmente é o que é feito.

Entendi. Então o tratamento da crise é um conceito completamente separado do tratamento da doença. Não é uma soma, são coisas diferentes.


Tiago: Assim, tratar a crise é uma parte, tem que tratar a crise do paciente, é óbvio. Mas, quando você trata a crise, você já perdeu. Você não está tratando a doença tratando a crise.

É isso que precisa ficar muito claro, porque esse é o maior erro de entendimento da doença: achar que está tratando a doença dando remédio para a crise. E você não está tratando nada.

Muitas vezes, os pacientes procuram o médico e o médico não trata a doença, ele só trata a crise. Tratar a crise não é tratar a doença. Então, você não fez nada. Você simplesmente disse: “Quando vier o problema, toma esse remédio aqui.”

E isso acontece por um pensamento equivocado de achar que é uma doença benigna. Não é benigna.


Marina: Entendi


Tiago: É difícil colocar isso na cabeça das pessoas, porque você tem que mudar a mentalidade de uma população, mudar a cabeça de vários médicos que entendem a doença de uma forma totalmente equivocada. E isso é nadar contra a maré.

Marina: Entendi, doutor. Aqui no Brasil há em torno de 30 milhões de pessoas com enxaqueca, né? E temos menos de 6.800 neurologistas. Que dica o senhor daria para os 600 mil médicos brasileiros que não são neurologistas, mas que querem ajudar seus pacientes com enxaqueca? O que eles precisam ter em mente?


Tiago: Precisa ter em mente que é uma doença, que não é dor de cabeça. Precisa ter em mente que o paciente precisa entrar com uma profilaxia para deixar de ter crises.

É uma doença que, enfim, é muito difícil. Mas é preciso entender que, por exemplo, tomar café todos os dias faz com que ela piore. E em um país em que o nome da primeira refeição do dia é o nome da droga, é bem difícil.

Em um país que é o maior produtor dessa droga no mundo, fica ainda mais complicado. Então, não é uma tarefa simples fazer uma mensagem como essa chegar aos outros, porque muitas vezes o próprio médico tem a doença e toma café. Como ele vai ajudar alguém se ele mesmo toma, né?

Como é uma doença espectral, temos pacientes com poucas crises e pacientes com muitas. É uma doença com muitos genes, o que torna difícil até para o médico generalista compreender. Se os próprios neurologistas têm dificuldade de entender, imagine os outros.

A solução seria a educação continuada. Colocar o estudo da enxaqueca e professores capacitados nas universidades, ensinar o que a doença realmente é, e não continuar com as mesmas orientações dadas na década de 1990 ou no início dos anos 2000.

O que vemos hoje é que as pessoas continuam aprendendo as mesmas coisas de antigamente, e o conhecimento sobre a doença já evoluiu muito. Mas isso não tem sido passado adiante.

Então, não é fácil. Não é fácil, tá? A dica seria tentar entender que é uma doença.


Marina: Eu achei interessante lá no congresso, né? A China está fazendo esse trabalho, eles estão criando um plano para ensinar sobre dor de cabeça para todos os médicos. Criaram um grupo específico para ensinar sobre dor de cabeça, né?

E aqui no Brasil ainda não. Aqui no Brasil não tem essa iniciativa, ainda ninguém está fazendo isso. O senhor acha que seria necessário?


Tiago: Tem até alguns lugares que fazem. Eu vi um outro projeto, foi no primeiro dia do congresso, um pessoal do Rio Grande do Sul que está tentando fazer isso nas UBS. Então, vi que está começando alguma coisa, mas ainda é muito iniciante, muito pequena.

Um país como o nosso precisaria ter algo de âmbito nacional para fazer isso, com pessoas que realmente queiram e entendam que a doença é uma doença, que não é só dor de cabeça. Que entendam que, de fato, existe esse espectro de pacientes mais leves e pacientes mais graves.

Mas não é fácil, porque é uma mudança de estilo de vida, uma mudança de entendimento sobre o que são as coisas, o que de fato é um alimento, o que de fato é uma droga. Está muito confuso.

Muitas vezes a pessoa acha que uma Coca-Cola é alimento. Não, Coca-Cola é droga, tanto que era vendida em farmácia. Café é uma droga.

Muito dificilmente a gente vai chegar nesse nível nos próximos anos. É um processo. E também é preciso fazer mais trabalhos científicos voltados para isso. A gente tem muito pouco estudo mostrando esse tipo de situação.

Mas, enfim, não é fácil. Não é fácil, viu? O buraco é muito grande.


Marina: Entendi. Mas até que o caminho já foi começado, né? Tem um início, então uma hora chega lá.

Doutor, que sugestões o senhor daria para as pessoas que ainda não encontraram um tratamento eficaz para a sua enxaqueca? Para essas pessoas que estão sofrendo, que talvez estejam assistindo a esta live ou vão ver depois e que têm enxaqueca todo dia, ou com muita frequência, e que isso está prejudicando a vida delas. O que o senhor sugere que elas façam?


Tiago: De fato, é importante tentar procurar alguém que entenda, que escute suas dores, que conheça a doença e saiba tratá-la da melhor forma possível para reverter esse quadro.

Esse quadro é totalmente reversível. Tratar a enxaqueca é devolver a vida ao paciente. Viver não é ter essa doença ou ficar tomando remédio de crise toda hora. Tem tratamento. A gente consegue reverter esses quadros.

Eu recebo pacientes do país inteiro. Hoje mesmo atendi pessoas do norte ao sul do Brasil. Todos os dias acabo recebendo gente de todo o país para tratar. A gente sabe da carência e não é só nacional, é também mundial.

Mesmo em países ricos, como os Estados Unidos, a porcentagem de pessoas que recebem o tratamento adequado é muito pequena. E a porcentagem de pessoas que procuram ajuda também é muito pequena.


Marina: Legal! Aí eu vou dar uma dica pro pessoal aqui: seguir o Instagram do Dr. Tiago. Eu achei o Instagram dele ótimo, realmente muito explicativo. Ele não foge dos assuntos polêmicos e inclusive dá uma dica lá no perfil dele: “Olha, maratona meu Instagram.”

E eu pensei: será? Fui lá e maratonei, e ele tinha razão. Vale a pena!

Pessoal, tá ali o Instagram do Dr. Tiago. Ajuda, viu? Se você tem enxaqueca e está sofrendo, os vídeos dele dão dicas incríveis, bem interessantes mesmo.


Tiago: Recebo muito feedback de seguidores. Dizem: “Nossa, eu fiz isso, parei com essas coisas e melhorei muito. Meu tratamento passou a funcionar depois que segui o que você orientou.”

Então é muito gostoso pra mim saber que pessoas que nem passaram por consulta comigo eu consegui ajudar pelo Instagram. É uma ferramenta muito boa.

Podem maratonar lá, sim. Tem muita informação bacana pra vocês entenderem o que é a doença e saberem que não é só dor de cabeça, é uma doença com vários sintomas, e a dor é somente um deles.


Marina: Legal, doutor. O senhor falou um pouquinho sobre o seu trabalho no Headache Center. Gostaria de falar mais um pouco sobre o Headache Center, para o pessoal conhecer?


Tiago: Com certeza, claro. O que é o Headache Center? É o primeiro centro de tratamento integrado da enxaqueca. É o maior centro de tratamento de enxaqueca da América Latina, multidisciplinar. Na verdade, é o maior centro multidisciplinar do mundo e o maior da América Latina.

Além dos neurologistas, hoje temos eu, Dr. Tiago, a Dra. Taís e a Dra. Alana. Esses profissionais coordenam o tratamento junto com diversos outros profissionais. Temos psicólogo, nutricionista, médicos que realizam os procedimentos necessários para os pacientes, fisioterapeuta e dentista.

Enfim, é uma equipe inteira que trabalha em prol do paciente, e isso faz toda a diferença. Quando temos uma equipe multidisciplinar que atua em conjunto, com todos sabendo o seu papel e o que fazer para ajudar o paciente, entendendo cada vez mais a doença, o resultado é esse: controlar pacientes que foram desenganados por outros médicos e que já haviam tentado diversos tratamentos.

Muitas vezes, eles fizeram bons tratamentos, mas sem a condução adequada do quadro que é o mais importante.


Marina: Doutor, deixa eu lhe perguntar: todas as pessoas que passam pelo Headache Center conseguem melhorar? Ou existe uma porcentagem que ainda é inatingível, que pode ir lá e realmente não sentir melhora, mesmo fazendo tudo certo?


Tiago: Sim. O que acontece é que os pacientes melhoram, mas o que modifica muito é a velocidade dessa melhora. Tem pacientes que melhoram mais rápido e outros que melhoram mais lentamente, basicamente isso.

Existem alguns fatores que são preponderantes para essa diferença de velocidade: o tempo de doença, o uso de antidepressivos e tratamentos anteriores que foram feitos de forma equivocada.

Então, há várias coisas que vão definir se o paciente vai melhorar mais rápido ou mais devagar. Mas todo mundo melhora. O que diferencia é, de fato, essa velocidade.


Marina: Então vale a pena, né? Porque você tem a garantia de que vai melhorar. É só ter paciência, confiar, seguir firme e dar os feedbacks para a equipe sobre o que está funcionando ou não, pra ir ajustando e melhorando.

Que bom, isso é muito importante, doutor, porque o que a gente mais encontra são pessoas desenganadas, achando que essa vai ser a vida delas.


Tiago: Atendi uma paciente, na primeira consulta, que já tinha passado por vários outros profissionais. Ela estava muito chateada, achando que nada dava certo. Disse: “Vim aqui porque falaram que era o último lugar pra eu vir. Se não melhorasse aqui, não ia melhorar em lugar nenhum.”

Eu escuto essa frase com muita frequência. E é muito gostoso, sempre, a consulta de retorno, porque a pessoa já vem diferente. Com quarenta e cinco dias, com três meses, já chega modificada.

Isso é muito gratificante pra mim, saber que estou fazendo parte da mudança na vida das pessoas, de pessoas que estavam há anos com a doença em estado grave.


Marina: Que legal, doutor. Que legal mesmo. Olha, muito obrigada por ter aceitado dar essa entrevista pra gente. Obrigada e parabéns pelo seu empenho em conscientizar as pessoas sobre a enxaqueca. É um trabalho muito importante mesmo.

Quero agradecer também a vocês que estão nos assistindo agora à noite. Doutor, tem mais alguma coisa que o senhor gostaria de falar?


Tiago: Não, só uma mensagem pra quem está assistindo à live: saiba que você não está sozinho. A doença que você tem tem jeito, sim. O tratamento, de fato, varia muito de pessoa pra pessoa, mas você não precisa achar que está em um beco sem saída.

Tem saída, tem solução. A gente consegue, de fato, mudar a vida das pessoas tratando a doença de forma adequada e dando todo o suporte que elas precisam nessa fase de uma doença que é silenciosa, que ninguém vê.

Às vezes, você está lá sofrendo sozinha. Muitas vezes mente, dizendo que não está com dor, mesmo estando, porque não quer admitir que sente dor todos os dias. Mas saiba que eu entendo você, e que aqui a nossa equipe entende você da melhor forma possível. Tá bom? Isso tem tratamento, sim.


Marina: Espetáculo! Muito bem doutor, boa noite e até a próxima!


Tiago: Ótima boa noite e muito obrigado a todos


 
 
 

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